quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

FELIZ 2011!!!

Um ano chega ao ocaso
Está vencendo seu prazo
Nosso calendário muda
Fazemos a despedida
O velho está de partida
O novo já nos saúda

É tempo de refletir
Uma prece dirigir
Ao Altíssimo Senhor
Agradecer Seu cuidado
No ciclo agora encerrado
Dedicar-Lhe, sim, louvor

Houve dor e alegria
Regozijo e agonia
Todo ser por isso passa
No riso e também no pranto
Contamos com acalanto
Da boa e Divina Graça

Tivemos aspirações
Muitas realizações
Outras glórias só sonhadas
Mas seremos triunfantes
Acaso perseverantes
Em todas as caminhadas

Nossas marcas e pegadas
Deixemos todas guardadas
No livro da experiência
As citadas diretrizes
Serão exemplos motrizes
Pelas sendas da vivência

O lume da nova aurora
Fortalece, revigora
Nosso espírito guerreiro
Renovando a esperança
E nutrindo a confiança
De vitória o ano inteiro

Galera muito estimada
Aproxima-se a virada
Dois mil e dez quase findo
Desejo tudo de bom
Bradando num alto som:
Dois mil e onze, bem-vindo!!!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

SALOMÃO E AS DUAS MÃES

Nas paragens de Israel
O rei dito Salomão
Recebeu duas senhoras
Numa dada ocasião
Eram elas meretrizes
De certo modo infelizes
Por causa duma questão

Expondo sua aflição
Uma fala do ocorrido:
"Nós duas moramos juntas
Um filho meu foi nascido
Três dias após meu parto
Nasceu ali noutro quarto
O filho dela querido"

"Essa aí tinha dormido
Sobre o corpo do neném
Matando a tenra criança
Depois, sorrateira, vem
Tira o filho do meu lado
Pelo seu, morto, é trocado
Pudor algum ela tem"

"Despertei, só vi, porém
Um bebezinho sem vida
Constatei não ser aquela
Minha criança parida
Disse à outra: 'não é meu
Foi o teu que faleceu'
Mas negou essa bandida"

Essa história foi ouvida
Pelo rei tão sapiente
Eis um dilema instaurado
Bem ali na sua frente
Ele pede uma espada
Ordem, de pronto, acatada
A decisão é premente

"Como nenhuma consente
Em entregar o menino
Vou resolver a contenda
Dessa forma determino:
Ele cortemos ao meio
Pra cessar o aperreio
Recomenda, pois, o tino"

"Metade do pequenino
Ficará com uma dama
Segunda parte, portanto
Para a outra que reclama
Porque procedendo assim
A briga terá um fim
Acabará esse drama"

Provando do amor a chama
Quem era mãe de verdade
Diz ao rei: "não faça isso
Não vejo necessidade"
(Mostra sentir instintivo)
"Entregue o menino vivo
À outra, por piedade"

Não era uma novidade
O que a outra dizia:
"Nenhuma de nós terá
Esse menino algum dia
Dividamos sem vacilo
O disputado pupilo
Conforme o rei anuncia"

Ele, com sabedoria
Fala: "agora estou seguro
Não será morto o menino
Decidi o seu futuro
Será entregue à primeira
A sua mãe verdadeira
Que demonstrou amor puro"

Comprovando ser maduro
E justo por natureza
Salomão foi respeitado
No local e redondeza
Pela sua inteligência
Foi alvo de deferência
Em Israel, com certeza


______________________________

Adaptação baseada em 1 REIS 3:16-28

SANSÃO E DALILA

Os filhos de Israel
Por comportamentos seus
Perante os olhos de Deus
Eram maus seres humanos
Aos filisteus são entregues
Em razão dos desagrados
Para serem dominados
Por longos quarenta anos

Havia naqueles tempos
Um sujeito de Zorá
O seu nome: Manoá
Da tribo de Dã saído
Sua esposa era estéril
Isso muito lhe afligia
Porquanto não poderia
Um filho ter concebido

Um anjo diz a mulher:
"Tu tens esterilidade
Mas te conto a novidade
Tu gerarás um rebento
E, por isso, agora evites
Beber vinho ou coisas fortes
Deus requer que te comportes
Só comas puro alimento"

Prossegue o recado o anjo:
"Ele será consagrado
Não poderá ser cortado
Seu cabelo, desde novo
Terá a nobre incumbência
De promover o início
Da cessação do suplício
Pelo qual passa seu povo"

A mulher corre ao marido
Se mostrando estupefata
A tal mensagem relata
Em detalhes, por inteiro
Manoá, após saber
Fala a Deus em oração
Pedindo outra aparição
Desse anjo mensageiro

No campo, a mulher sozinha
O anjo vem novamente
Saindo apressadamente
Ela busca seu marido
Ele chega e já pergunta:
"Tu vieste noutra vez?"
A confirmação lhe fez
O emissário referido

Manoá lhe diz, então:
"Sejam, portanto, cumpridas
As palavras proferidas
Se são ordens do Senhor"
Continua lhe indagando:
"Como será o viver
Do filho que vai nascer?
Responda-me, por favor"

Assim, o anjo esclarece:
"Tudo que disse a mulher
Deus sorri se ela fizer
Guardando, cumprindo, enfim"
Manoá, feliz, convida:
"Comas conosco, meu caro
Um cabrito já preparo
Não te vás logo de mim"

Diz o anjo, recusando:
"Não comerei do teu pão
Sacrifícios, meu irmão
Dirijas a Deus, portanto"
Manoá faz desse modo
Toma nas mãos o cabrito
E alimentos, num rito
Oferta ao Divino Santo

No altar do sacrifício
Uma grande chama é vista
Vai nela, sem deixar pista
A figura angelical
Diante desse ocorrido
Em terra se vê prostrado
Deveras emocionado
O mencionado casal

Manoá fala à mulher:
"Acho que vamos morrer
Pois não devíamos ver
O rosto do Onipotente"
A mulher discorda dele:
"Se tivesse insatisfeito
ELE não teria aceito
Nossa oferta, certamente"

Passados tais episódios
Nasce a criança esperada
De pronto, foi batizada
Pôs-se o nome de Sansão
Duma forma regular
Pelo Espírito Sagrado
Crescido, foi incitado
Para os campos o varão

Sansão conhece em Timnate
Uma mulher, puro encanto
Seu coração bate tanto
Por aquela filisteia
Ele a quis por sua esposa
Diz aos pais: "Ela é bonita"
Eles: "busque israelita
Essa não é boa ideia"

Com os pais, vai a Timnate
Aquele jovem robusto
Numas vinhas, leva susto
Dum filhote de leão
A providência Divina
Inunda o rapaz de Graça
A fera ele despedaça
Usando somente a mão

Nunca ficaram sabendo
Os pais do dito sujeito
Daquilo que tinha feito
Com a fera mencionada
Sansão vai ver a mulher
Aquela moça formosa
Pra ter com ela uma prosa
E dela muito se agrada

Retorna, após alguns dias
Para tomar a mocinha
Desvia, quando caminha
Para ver o leão morto
Pra sua surpresa, encontra
Abelhas em escarcéu
Do bicho brotava mel
Naquilo fica absorto

Ele come e leva o mel
Oferecendo a seus pais
Que não souberam jamais
Donde era procedente
Depois, oferta um banquete
A sua futura amada
Conduta recomendada
Para todo pretendente

A Sansão vêm trinta homens
Um enigma é sugerido
Um presente é prometido
Pra quem lograsse acertar
Caso eles decifrassem
O prêmio lhes apresenta:
Trinta lençóis, vestimenta
O prazo: as bodas do par

"Se não tiverem resposta
Durante os sete sóis
Mudas de roupas, lençóis
Devem ser presentes meus"
Do enigma Sansão fala:
"Comedor verte comida
Do forte, doçura é tida
Vão pensando, filisteus"

Ninguém ali encontrava
Pro mistério a solução
Foi feita muita pressão
Pra Sansão ser convencido
Chegaram junto à mulher
Dizendo: "você deseja
Que a nossa posse esteja
Com seu futuro marido?"

No decorrer dessas bodas
A mulher chora bastante
Dizendo ser humilhante
Não saber desse segredo
Sansão retruca a seu modo:
"Nem mesmo a meus pais contei
Pra ninguém eu declarei
Acerca disso estou quedo"

A dama lhe importunava
Já era o sétimo dia
E Sansão confidencia
Conta a resposta pra ela
Alcançando seu intento
Logo após ser atendida
A resposta conseguida
A mulher aos seus revela

Vieram, pois, responder
Sobre mel, leão, destarte
Do que ouve faz descarte
Devido ser fraudulento
Diz a eles: "foi trapaça
A mulher lhes deu ajuda
Ninguém há que me iluda
Vocês não têm argumento"

Ficando irado, Sansão
Trinta ascalonitas mata
Suas vestes arrebata
Para dar aos espertinhos
Transtornado, vai-se embora
Procura a casa paterna
A mulher lhe passa a perna
Segue distintos caminhos

Decorreram alguns dias
Era tempo de colheita
Sansão vai ver a eleita
Pelo 'sogro' é impedido
Ele diz: "moço, por ver
Minha filha abandonada
A outro homem foi dada
Hoje tem outro marido"

É proposto que Sansão
Tomasse a irmã mais nova
A ideia ele reprova
E logo em seguida explica:
"Diante dos filisteus
Agora sou inocente
Não fiz mal pra essa gente"
Muito furioso fica

Toma trezentas raposas
E algumas tochas pega
Numa ira quase cega
Cada duas caudas une
No meio põe tocha acesa
Depois solta os animais
Nas vinhas e nos trigais
E seus desafetos pune

Os filisteus perguntaram
"Quem será que foi autor
Desse ato arrasador
Infligindo a nós um drama?"
Responderam desse modo:
"Foi Sansão, israelita
Esse genro do timnita
Por tomarem sua dama"

Sabendo a razão do fato
Deixaram somente em brasa
Daquela família a casa
Matando a moça e o pai
Então, lhes disse Sansão:
"Depois de vingado, cesso"
Ferindo todos, possesso
Pra uma caverna vai

Contra os homens de Judá
Os filisteus se encaminham
Notando que eles vinham
Aqueles buscam saber
O motivo da atitude
A resposta é a seguinte:
"Pela humilhação, acinte
Queremos Sansão prender"

De Judá saem três mil
Para com Sansão falar
E vão logo reclamar:
"Por que tu fizeste assim?
Ouvindo o questionamento
Ele responde, tranquilo:
"Pra me vingar, fiz aquilo
Pois judiaram de mim"

Os homens dizem: "viemos
Para te amarrar, amigo
Cumprirás o teu castigo
Nas mãos dos dominadores"
Fazendo dessa maneira
O cabra de grande porte
Ataram com corda forte
Pra entregar aos vingadores

Os filisteus se aproximam
A sanha lhes alimenta
Sansão a corda arrebenta
Como linha, facilmente
Uma queixada de asno
Ele pega e fere mil
Contra aquela turma hostil
É vencedor novamente

Tomado por grande sede
Faz a Deus a petição:
"Já me deste salvação
Eu rogo neste momento
Não me deixes padecer
Cair na mão do inimigo
Oh, Senhor, meu pai, eu digo
Estou por demais sedento"

Deus atende seu clamor
Faz sair de tal queixada
Água pura abençoada
Que foi por Sansão bebida
Com seu espírito em festa
Bastante revigorado
Nosso herói reanimado
Celebra, feliz da vida

Chegando Sansão em Gaza
Sem demora, foi cercado
Fortemente vigiado
Tinha muito sentinela
Os planos desses gazitas:
Esperar o sol nascer
Matá-lo no amanhecer
Era essa a esparrela

Despertando meia-noite
Sansão, com ferocidade
Na entrada da cidade
Umbreiras, portas arranca
Vai pro alto de um monte
Aquele cara parrudo
Levando nos ombros tudo
Incluindo aí a tranca

Lá no Vale de Soreque
Ele fica apaixonado
Plenamente inebriado
Seu olhar logo cintila
É fisgado pela moça
Quis ser o marido dela
Porquanto formosa, bela
O seu nome era Dalila

Os príncipes filisteus
Pra saber donde provém
A força que Sansão tem
Dizem pra jovem: "convença!
Insista com seu esposo
O seu segredo desvende
Pois nosso povo pretende
Entregar-lhe recompensa"

Cada príncipe promete
Várias moedas de prata
Mil e cem a conta exata
Acaso ela fosse esperta
Porquanto se sabedores
Da origem do vigor
Sansão provaria dor
Após feita a descoberta

Ele responde uma vez
Pra que a mulher se anime:
"Com varas frescas de vime
Eu seria enfraquecido
Caso preso em sete delas
Eu viro um homem normal
Sem a força colossal
Pela qual sou conhecido"

Trouxeram as sete varas
Amarrando o camarada
Notando, pois, a cilada
Ele as quebra como fio
Eis que Dalila reclama:
"Zombaste de mim, amor
A verdade, por favor
Reveles, em ti confio"

Ele diz: "só cordas novas
Segurar-me poderão
Verás minha prostração
Meu corpo debilitado"
Ela arruma as ditas cordas
Amarra Sansão com gosto
Ele as rompe, quando exposto
Sem esforço demonstrado

Enganada novamente
Dalila queixa faria
Ante nova zombaria
Exige dele respostas
E Sansão: "eu fico frágil
É normal que enfraqueça
Se tecidas na cabeça
Tranças em liços dispostas"

Ela tece sete tranças
Prende todas com estaca
A reação não é fraca
Ele arranca estaca e liço
Dalila lamenta, triste:
"O meu sentir é fiel
Tu estás sendo cruel
Cadê o teu compromisso?"

Ela o perturba demais
Usa palavras tocantes
Pra Sansão angustiantes
Ele cede, finalmente
Escancara seu segredo:
"Essa força logo falha
Se me passarem navalha
Na cabeça tão-somente"

Ela os filisteus avisa:
"A jornada está completa
Alcancei a minha meta
Foi cumprida essa missão"
Os príncipes satisfeitos
Levaram todo dinheiro
O futuro prisioneiro
Tinha aberto o coração

Sobre o colo de Dalila
Dormindo feito crianças
Sansão perde suas tranças
Um homem lhe deixa calvo
Suprimida sua força
Pros outros foi fácil presa
Virou figura indefesa
Sem Deus, vulnerável alvo

Arrancaram os seus olhos
Meteram numa prisão
Sob o jugo do grilhão
Um moinho ele girava
Na terra dos filisteus
Esse povo referido
Por Sansão estar detido
Contente, comemorava

E nesse clima de festa
O templo estava lotado
Sansão ali é chamado
Pra que fosse escarnecido
Além de todos os príncipes
Três mil pessoas havia
Esbanjavam alegria
Pelo oponente vencido

Encostado nos pilares
Que davam sustentação
Para aquela construção
Sansão implora ao Divino:
"Senhor, só por esta vez
Minha força restitua
Meu espírito possua
Vou selar o meu destino"

"Desejo vingança, Pai
Pelos olhos extraídos
Meus braços fortalecidos
Quero ter por um momento"
Abraça bem as colunas
Tomado pela revolta
Forçando as duas só solta
Após o desabamento

Os presentes no local
Morreram sob as ruínas
Cumpriram as suas sinas
Naquele evento aflitivo
Por ocasião da morte
De Sansão, grande Juiz
Assim, a bíblia nos diz:
"Matou mais que quando vivo"


FIM



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Adaptação baseada em JUÍZES 13 - 16

A VACA E A VIRGEM

A família está jantando
Em total felicidade
Quando faz um comentário
Mostrando contrariedade
A caçula de somente
Onze anos de idade:

"Vou contar a novidade
Estou triste e abalada
Porque eu não sou mais Virgem
Sou uma vaca, moçada"
Depois, começa a chorar
A mocinha envergonhada

Ninguém ali fala nada
Há mudez por um momento
Logo após, eles começam
Acusações, xingamento
Do pai, chefe da família
Vem o primeiro argumento

Condena o comportamento
De sua mulher e diz:
"Só anda de mini-saia
Se veste qual meretriz
A menina vendo isso
Seguir seu exemplo quis"

Transtornado e infeliz
Fala à filha adolescente
Que tem dezessete anos:
"E você, sua indecente
Se esfrega c'o namorado
Na frente dessa inocente!"

A mãe demais descontente
Levanta e diz ao marido:
"Você é um sem-vergonha
Sai com outras escondido
Vive torrando dinheiro
Nos bordéis fica perdido"

"Além disso, seu bandido
Assinou TV fechada
Só pra ver pornografia
Quer ser o bom, camarada
Também é má influência
Tem conduta muito errada"

Ainda desconsolada
Abraça a filha chorosa
Cochichando, fala assim:
"Filhota maravilhosa
Como foi que aconteceu
Essa coisa horrorosa?"

"Foi a professora Rosa
Muito sacana, cruel
No presépio de amanhã
Ela trocou meu papel
Eu vou fazer a vaquinha
A Virgem vai ser Raquel"

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Adaptação de piadinha natalina

O NASCIMENTO DE JESUS

Fecundada por Deus gestou Maria
Jesus Cristo, enviado por Javé
C'o marido morava em Nazaré
Da Judeia ele era, todavia
E, por isso, a Belém viajaria
Para dar ao edito cumprimento
Pelas regras de um recenseamento
Precisava José se deslocar
Afinal, pra poder realizar
No rincão donde veio alistamento

Desejando chegar a tal cidade
Pega estrada o querido e bom casal
Gravidez de Maria no final
Iminente era o parto, na verdade
Um abrigo, fatal necessidade
Procuraram depois dessa viagem
Não achando lugar na estalagem
Ali mesmo tiveram a surpresa
O nascer do menino, que beleza
Numa rústica e simples paisagem

O local do episódio: estrebaria
Um recinto onde dormem animais
Estampou-se no rosto de seus pais
Um sorriso de paz e de alegria
Em uns panos Jesus logo poria
Sua mãe cuidadosa e dedicada
Não havendo outra coisa apropriada
Solução a mulher, de pronto, vê
Manjedoura é o berço do bebê
A criança ficou ali deitada

Espalhou-se a notícia do ocorrido
Alguns anjos dos céus são emissários
Visitaram paragens, locais vários
Difundindo: "O Messias tem nascido"
Não demora, o evento é conhecido
Por pastores, por reis e toda gente
Veio ao mundo a estrela reluzente
Profecias diversas viram fatos
Escrituras antigas com relatos
Já previam Jesus, nosso presente

OS NOVOS CAMPEÕES BRASILEIROS

Nossa Confederação
Fez oficialização
De campeonatos passados
Mais quatorze vencedores
Do Brasileiro, senhores
Hoje estão legitimados

Campeonato inaugural
Do futebol nacional
Taça Brasil existia
Cinquenta e nove quem ganha?
Parabéns pela façanha
Esporte Clube Bahia

No desporto das chuteiras
Em sessenta deu Palmeiras
A torcida aplaude em pé
Jogando belas partidas
São cinco Taças seguidas
Para o Santos de Pelé

A Raposa das Gerais
Ergueu a Taça, ademais
Do certame, em meia meia
Vou parar por um momento
Pra um esclarecimento
Agradeço a quem me leia

O Rio-São Paulo falado
Em meia sete ampliado
Teve participação
Dos times de outras praças
Portanto, são duas taças:
Taça Brasil, Robertão

A Taça Brasil resiste
E toda torcida assiste
Em meia oito, de novo
As disputas referidas
Que estão reconhecidas
Pela entidade, meu povo

Esclarecida a questão
Voltemos à relação
Da honrosa galeria
Palmeiras, em meia sete
Nos dois certames compete
Vence os dois, não alivia

Última Taça Brasil
Em meia oito se viu
Botafogo se deu bem
No Robertão, ganha o Santos
Um troféu em meio a tantos
Que Pelé, o Rei, detém

É sessenta e nove o ano
O Palmeiras paulistano
No Robertão tem laurel
No derradeiro, em setenta
Meu Fluminense arrebenta
Tricolores provam mel

É esta, portanto, a lista
Com os campeões d'outrora
Falei de cada conquista
E vou ressaltar agora
Com o seu nome atual
A peleja inicial
Ocorre em setenta e um
Nesse assunto de boleiro
Campeonato Brasileiro
Gera muito zunzunzum

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

OS PERIGOS DO CEROL

Enfim, chegou o descanso
Dos cadernos, das lições
Acabou a maratona
De provas e correções
Chegam férias escolares
Em diferentes lugares
Os garotos aproveitam
Com tempo pra brincadeiras
São criaturas arteiras
Pelas ruas se deleitam

As pipas, os papagaios
São demais apreciados
Pois há várias gerações
Deixam muitos encantados
A tala, linha e papel
Juntos, bailam pelo céu
Tem sua graça, de fato
Também é divertimento
Todos têm conhecimento
Bastante simples, barato

Tamanhos são variados
As cores vibrantes, vivas
Desenhos de todo jeito
As formas são criativas
Nesse sedutor lazer
Rapazes vemos correr
Sem ligar pro forte sol
Nós sabemos, todavia
Que nem tudo é alegria
Caso se use o cerol

Mistura de vidro e cola
Largamente utilizada
Nas batalhas entre pipas
De trança denominada
Da linha sendo elemento
Por vezes faz ferimento
Muito sério é o seu corte
Cerol pode ser fatal
Tem grande potencial
De provocar uma morte

A prudência recomenda
Que a citada diversão
Nunca se faça presente
Onde tenha fiação
Isso pra que não provoque
No que brinca enorme choque
Fazendo a família triste
Cerol? Nem se pensa nisso
Com a vida há compromisso
O bom senso implora, insiste

O destino, vira e mexe
Alguma peça nos prega
Usando tal artifício
Pode cortar um colega
Os pescoços do carteiro
Do pedestre, motoqueiro
São alvos desprotegidos
Sem tempo pra desviar
Poderão mesmo tombar
Com gravidade feridos

Seja, portanto, amigão
Um cidadão responsável
Soltar pipa em campo aberto
É atitude saudável
Seu parceiro aqui avisa
Ser cortante não precisa
A linha do seu brinquedo
Evite a temeridade
Não espalhe na cidade
Com o seu cerol o medo

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

CESTA DE NATAL

Nesse clima de Natal
Um pedido especial
Fiz a Deus em oração:
"Uma cesta abençoada
De presentes recheada
Desejo de coração"

Disse a Ele o que requeiro
Lá vai o item primeiro
Ele com certeza traz
Num reluzente pacote
Roguei a meu Pai que bote
Sem economia, a PAZ

Pra enfrentar essa lida
Numa seguinte pedida
Supliquei o quanto pude
Dizendo: "Bondoso Santo
Eu também desejo tanto
Gozar de boa SAÚDE"

Lembrando das empreitadas
Nessa vida começadas
Eu falei: "Divino, peço
Não me deixe esmorecer
Nessas lutas quero ter
Constantemente SUCESSO"

Sobre as relações comigo
Com parente ou com amigo
Pedi ao Sublime Guia:
"Pretendo sempre dispor
Poderoso Criador
De sem igual HARMONIA"

Nos caminhos onde ando
Deus tem o firme comando
O Seu brilho me conduz
Contudo, solicitei:
"Mantenha acesa, meu Rei
Sua chama, minha LUZ"

Na sequência desse rol
Disse: "Deus, de sol a sol
Rogo generosidade
Oh, Protetor Soberano
Banhe meu cotidiano
Com muita FELICIDADE"

Foi também no dito pleito
Que falei: "Pai, aproveito
Peço pra ter onde for
Em doses exageradas
Nas mais diversas jornadas
O perfume, a cor do AMOR"

Concluí dessa maneira:
"Força Maior, verdadeira
Estenda a meu semelhante
O que me for concedido
Assim, fico agradecido
Satisfeito, radiante"

O FARISEU E O PUBLICANO

Desde os tempos mais remotos
Alguns de boa conduta
Celebram a sua índole
Devido ser impoluta
Confiança em demasia
Vira e mexe produzia
Muita altivez e desprezo
Jesus Cristo certa feita
Esse quadro não aceita
Criticou tal menosprezo

O Nazareno contou
A história aqui mostrada
Por dois homens tal passagem
Fora protagonizada
Um encontro conhecido
A você, leitor querido
Em versos agora explano
Quem são eles? Quer saber?
Eu informo com prazer:
Fariseu e publicano

Os sujeitos vão ao templo
Pra fazer sua oração
O citado fariseu
Faz a própria exaltação:
"Agradeço, Pai dos pais
Pois não sou como os demais
Todos cheios de pecado
Pra ser um justo me esmero
Não roubo, não adultero
Nem sou feito o cara ao lado"

"Duas vezes por semana
Oh, Deus Supremo, jejuo
E dou dízimos, Senhor
De tudo quanto possuo"
Assim, o homem completa
Expondo essa vida reta
Soberbo, cheio de si
Naquele mesmo recinto
Porém, de modo distinto
O outro orava ali

O publicano nem volta
Para os céus o seu olhar
Batendo forte no peito
Começa, então, a falar:
"Oh, Deus de grande bondade
Conceda-me a piedade
Porquanto peco bastante
Preciso da compaixão
Estenda, Pai, Sua mão
Para que siga adiante"

Após narrar a parábola
Jesus falou: "o segundo
Retornou justificado
Pra casa donde oriundo
Quem se porta humildemente
Como fato decorrente
Deve ser, pois, exaltado
Quem a si mesmo sublima
Querendo ficar por cima
Ao contrário, é humilhado"

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* Adaptação da parábola bíblica (Lucas 18:9-14)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

QUADRÃO NATALINO

Foi avisada Maria
Que seu ventre abrigaria
Jesus Cristo, nosso Guia
Deus em forma de menino
Ouviu-se tudo que é sino
Em Belém e vizinhança
Viva a Sagrada Criança
Neste Quadrão Natalino

Mundo cheio de lambança
Carente de temperança
Precisava de esperança
Pra ter um feliz destino
Providência do Divino
Foi a vinda de Jesus
Celebremos, pois, a luz
Neste Quadrão Natalino

Antes de morrer na cruz
Seus discípulos conduz
Obra bonita produz
Valioso é seu ensino
Ele disse: eu dissemino
Do meu Pai uma mensagem
Por isso, cabe homenagem
Feita em Quadrão Natalino

Usando simples linguagem
Foi um homem de coragem
Pregou em muita paragem
Encarando sol a pino
Entoemos canto e hino
Pra lembrar seu nascimento
Decerto, há merecimento
Neste Quadrão Natalino

Ele nos deu livramento
Passou por grande tormento
Inclusive, enfrentamento
Ao seu cruel assassino
Não cometo o desatino
Seria atitude ingrata
Não celebrar essa data
Em um Quadrão Natalino

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

DIA DA BÍBLIA

Todo segundo domingo
Em dezembro é sempre feito
À nossa querida bíblia
Esse merecido preito
As escrituras sagradas
Devem ser mesmo exaltadas
Têm muita sabedoria
São palavras de conforto
Onde há seguro porto
Para o nosso dia-a-dia

Nessa fonte, nós sabemos
Há valoroso alimento
É retirado do Novo
Ou do Velho Testamento
Eis manancial de luz
Ela ensina e nos conduz
Nos caminhos da vivência
Nela podemos sentir
Um poderoso elixir
Brotando de sua essência

São vários ensinamentos
Maravilhosas passagens
Histórias tocantes, belas
E preciosas mensagens
Parábolas, provações
Diversas revelações
Da Santíssima Trindade
Sem dúvidas, quando lida
Muita paz é transmitida
E também tranquilidade

Caminhando em ditas páginas
A renovação é plena
O espírito fica leve
A nossa mente serena
A bíblia contém amparo
Auxílio bastante caro
Pros momentos aflitivos
Nos seus capítulos traz
Tudo aquilo que nos faz
Indivíduos positivos

Nos livros, que são dezenas
Do mundo narra a feitura
E diz como veio à tona
A humana criatura
Há também o surgimento
Da terra, do firmamento
E dos vários vegetais
Na bíblia se faz menção
Ao claro, à escuridão
Aos diversos animais

Personagens conhecidos
Têm a vida relatada
Por exemplo, a lealdade
D'alguns deles é testada
Outros de má natureza
Têm exposta essa dureza
Guardada no coração
Não pode ser diferente
A leitura é conducente
A enorme reflexão

A saga do Salvador
Ainda hoje bem viva
Nós podemos conhecer
É tão linda narrativa
Desde o nascimento, início
A todo o grande suplício
Por que passou Jesus Cristo
Encontramos em detalhe
Inclusive o achincalhe
Ali poderá ser visto

Temos provérbios e salmos
Nas linhas edificantes
Lá se pode refletir
São deveras importantes
A bíblia tem tudo isso
Deve ser um compromisso
Mergulhar no seu teor
Se medida habitual
Progresso espiritual
Traz a jazida de amor

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Agradeço à poetisa amiga CRIS CRISÁLIDA pela sugestão abençoada.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

DEUS NUNCA ERRA

Existia um certo rei
Cheio de incredulidade
Duvidava que Deus Pai
Tivesse mesmo bondade
Um de seus servos dizia
Toda hora, todo dia
Para aquele soberano:
"Tudo que por Deus é feito
É realmente perfeito
Pra seus filhos tem um plano"

Numa ocasião saíram
Em caçada, lado a lado
Eis que sua majestade
Por fera foi atacado
O mencionado animal
Levando um golpe letal
Pelo servo é morto, então
Do rei se preserva a vida
Mas por causa da mordida
Perdeu um dedo da mão

Mesmo sendo salvo o rei
Foi ingrato, muito azedo
De Deus de novo reclama
Por ter perdido seu dedo
O seu servo é assertivo:
"As coisas têm um motivo
Deus é bom, meu rei prezado"
Ao ouvir essa resposta
Irritado, ele não gosta
Manda prender o criado

Em nova caçada o rei
É pego por uns selvagens
Foi levado a sacrifício
Pois fariam homenagens
Aos deuses com sua morte
Entretanto, teve sorte
Devido ao dedo faltoso
Não seria o ideal
Pra fazer o ritual
Foi solto, saiu airoso

Em alívio transbordante
E total felicidade
Voltando para o palácio
Pôs o servo em liberdade
Relatou o ocorrido
Se mostrando agradecido
À Força Celestial
Não entendeu, todavia
Por que Deus permitiria
A prisão do serviçal

O servo fala, tranquilo:
"Se fosse lhe acompanhar
Seria sacrificado
Meu senhor, em seu lugar
Eu não tenho dedo ausente
Tombava morto... Evidente!
Por isso que sempre digo
Nosso Pai, o Criador
Do que faz é sabedor
Acredite nisso, amigo"


* Adaptação de belíssima mensagem recebida por e-mail da amiga poetisa MÁRCIA KALINE .

terça-feira, 30 de novembro de 2010

A PAZ PEDE PASSAGEM

Áreas do Rio de Janeiro
Alemão, Vila Cruzeiro
Sofriam com traficantes
Violentos, insensatos
Praticavam lá seus atos
Vários anos dominantes

Pelo crime organizado
Havia sido implantado
Impressionante terror
Em carros botavam fogo
Assim, fizeram seu jogo
Em tom intimidador

O povo fez grande súplica
Finalmente, a força pública
No morro esteve presente
Expulsou os marginais
Dos mencionados locais
Pr'alívio daquela gente

Em ações bem coordenadas
Polícias, forças armadas
Unidas pelo ideal
Agiram com contundência
Enfrentando a violência
Para erradicar o mal

Foi feito o recolhimento
De drogas e armamento
Numa enorme quantidade
Os redutos dos bandidos
Estourados, invadidos
Pr'alegria da cidade

A dita coalizão
Também fez muita prisão
De chefes e de gerentes
Uns fugiram rapidinho
Deixando pelo caminho
Montanhas de entorpecentes

Após esses dias loucos
A tranquilidade aos poucos
As comunidades têm
De maneira paulatina
Vai retornando à rotina
A população de bem

Todos temos a certeza:
Deve haver mesmo firmeza
No combate à bandidagem
Pois somente desse jeito
Bradará bem forte o peito
Que a paz pede passagem

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A LENDA DO AÇAÍ


Onde hoje Belém está
Lá nas terras do Pará
Uma tribo existia
Era muito numerosa
Portanto, vida penosa
Naquele local se via

Passavam grande tormento
Porquanto seu alimento
Estava ficando escasso
O cacique preocupado
Ante o quadro desenhado
Diz: agora o que eu faço?

Por ser chefe não se esquiva
Não vendo outra alternativa
Ele toma a decisão:
Crianças ali nascidas
Perderiam suas vidas
Freando a população

Continuava a matança
Sacrifício de criança
Tornou-se cruel rotina
Pra que a norma se aplique
Mesmo a filha do cacique
Perdeu, morta, uma menina

Iaçã, a moça dita
Bem desesperada, aflita
Chorava dia após dia
Um tempo ficou reclusa
Numa tristeza profusa
Da tenda ela não saía

Em oração, fez um pleito
Pro seu pai ver outro jeito
De dar ao seu povo ajuda
Ao deus dos deuses, Tupã
Pediu bastante Iaçã
Que a divindade acuda

Numa noite enluarada
Iaçã, fica espantada
Escuta uma choradeira
A índia se maravilha
Ao notar que é sua filha
Embaixo duma palmeira

Apressou, então, seu passo
Correu e deu um abraço
O bebê some, porém
Sem nada que a conforte
Ela chora até a morte
Querendo sua neném

Seu corpo foi encontrado
Em tal árvore abraçado
Com sorriso reluzente
Seu olhar não tinha luto
Mirava, brilhando, o fruto
Da palmeira imponente

Frutinhos escurecidos
Pelos índios são colhidos
Foi amassado tudinho
Depois do processo findo
Notam que está surgindo
Um bem consistente vinho

Homenagem logo feita
Iaçã foi a eleita
Pelo cacique Itaki
Ao líquido conseguido
O nome dela invertido:
Batizou-se de açaí

Sendo alimento tribal
Açaí deu, afinal
Cabo àquela mortandade
Sacrifício de inocente
Foi suspenso prontamente
Imperou felicidade



Fonte da imagem: http://www.infoescola.com

O MATUTO SEM-VERGONHA

Após tanto lamentar
Por estar desempregado
Pelo criador de vacas
O matuto é contratado
Lá naquelas cercanias
Tinha fama de tarado

O curral tinha limpado
Passeava todo airoso
Ao ver um equipamento
Ele fica curioso
Era uma ordenhadeira
Um troço bem "modernoso"

Ele vai todo manhoso
Naquela máquina toca
Ligada, suga seus dedos
A citada engenhoca
Com a mente poluída
Seu "peru" ali coloca

Um prazer grande provoca
Aquela forte pressão
Após se fartar três vezes
Ele chega à exaustão
Tenta desligar o treco
Não consegue, que aflição

Assombrado, sem ação
Seu "amigo" estava preso
Já cansado, repousando
E nem um pouquinho teso
Quando vê uma etiqueta
O cabra fica surpreso

Fica triste e indefeso
Com aquele aviso lido
"ORDENHADEIRA AUTOMÁTICA
DESLIGA QUANDO EXTRAÍDO
O MONTANTE DE TRÊS LITROS"
Se lascou o pervertido...


* Adaptação de piada

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O 'PUM' NÃO PODE SER REPRIMIDO (verídico)

Por mensagem eletrônica
Eu tive conhecimento
Dessa causa curiosa
A qual com vocês comento
Certo gás intestinal
Em turma de tribunal
Foi tema de julgamento

Meus prezados, não aguento
Não deixa de ser hilário
Pois assim deliberou
O nosso judiciário:
O 'pum' não tem o condão
De ensejar a punição
Inda mais o involuntário

Foi um gesto arbitrário
Na visão do julgador
Solução levada a cabo
Por aquele empregador
Que aplicou advertência
Em razão de flatulência
De seu colaborador

Não raro gera rubor
No dono do dito vento
Se além de mal cheiroso
For também bem barulhento
Porquanto se denuncia
O autor da ventania
Causando constrangimento

Restou, pois, sem fundamento
O que fez a reclamada
Punindo com tal rigor
A pobre da empregada
Tamanha severidade
Com sua ventosidade
Foi medida exagerada

Está, portanto, formada
A jurisprudência, é fato
Em favor da liberdade
Do denominado flato
Acaso solto em serviço
Não perverte o compromisso
Constante d'algum contrato


___________________________________


Eis a ementa do julgado em questão (disponível no SITE do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região):

Poder Judiciário
Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região
ACÓRDÃO Nº: 20071112060 Nº de Pauta:385
PROCESSO TRT/SP Nº: 01290200524202009
RECURSO ORDINÁRIO - 02 VT de Cotia

(...)

EMENTA

PENA DISCIPLINAR. FLATULÊNCIA NO LOCAL DE TRABALHO.

Por princípio, a Justiça não deve ocupar-se de miuçalhas (de minimis non curat pretor). Na vida contratual, todavia, pequenas faltas podem acumular-se como precedentes curriculares negativos, pavimentando o caminho para a justa causa, como ocorreu in casu. Daí porque, a atenção dispensada à inusitada advertência que precedeu a dispensa da reclamante.

Impossível validar a aplicação de punição por flatulência no local de trabalho, vez que se trata de reação orgânica natural à ingestão de alimentos e ar, os quais, combinados com outros elementos presentes no corpo humano, resultam em gases que se acumulam no tubo digestivo, que o organismo necessita expelir, via oral ou anal.

Abusiva a presunção patronal de que tal ocorrência configura conduta social a ser reprimida, por atentatória à disciplina contratual e aos bons costumes. Agride a razoabilidade a pretensão de submeter o organismo humano ao jus variandi, punindo indiscretas manifestações da flora intestinal sobre as quais empregado e empregador não têm pleno domínio. Estrepitosos ou sutis, os flatos nem sempre são indulgentes com as nossas pobres convenções sociais.

Disparos históricos têm esfumaçado as mais ilustres biografias. Verdade ou engenho literário, em "O Xangô de Baker Street" Jô Soares relata comprometedora ventosidade de D. Pedro II, prontamente assumida por Rodrigo Modesto Tavares, que por seu heroísmo veio a ser regalado pelo monarca com o pomposo título de Visconde de Ibituaçu (vento grande em tupi-guarani).

Apesar de as regras de boas maneiras e elevado convívio social pedirem um maior controle desses fogos interiores, sua propulsão só pode ser debitada aos responsáveis quando deliberadamente provocada.

A imposição dolosa, aos circunstantes, dos ardores da flora intestinal, pode configurar, no limite, incontinência de conduta, passível de punição pelo empregador. Já a eliminação involutária, conquanto possa gerar constrangimentos e, até mesmo, piadas e brincadeiras, não há de ter reflexo para a vida contratual.

Desse modo, não se tem como presumir má-fé por parte da empregada, quanto ao ocorrido, restando insubsistente, por injusta e abusiva, a advertência pespegada, e bem assim, a justa causa que lhe sobreveio.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O BURACO DA DISCÓRDIA

Em uma cidadezinha
Muito distante rincão
Mulheres que praticavam
A danada traição
Procuravam a igreja
Pra fazer a confissão

Por causa de convenção
"Eu traí" ninguém dizia
Das senhoras infiéis
O tal sacerdote ouvia:
"Caí dentro do buraco"
Era assim seu dia a dia

Entretanto, assumiria
Outro padre no pedaço
Sem saber do combinado
Ocupou o seu espaço
Tomou conta da paróquia
Se meteu num embaraço

Mulher feia e mulheraço
Encontravam o vigário
Falavam desse 'buraco'
Dentro do confessionário
Intrigado, ele procura
Seu prefeito, o mandatário

Marcando, pois, um horário
Disse assim pr'autoridade:
"Eu sei de certo buraco
Em nossa amada cidade
Tome logo providência
Resolva a calamidade!"

Do 'buraco', na verdade
Estava o gestor ciente
Sabia que era um código
Da mulher, quando indecente
Riu demais, para surpresa
Do sujeito à sua frente

"Por que ri intensamente?"
O padre logo reclama
"É melhor levar a sério
Amigo, o dever lhe chama
Já caiu lá por três vezes
A nossa primeira-dama"


* Adaptação de piada

O PREFEITO E O EMPREITEIRO

O prefeito certa vez
Faria uma construção
Uma ponte pra atender
A sua população
Pela grande envergadura
Fez-se logo abertura
De uma licitação

Teve a participação
Desse trio empreiteiro:
Japonês, americano
E também dum brasileiro
Um a um foram chamados
Sendo todos indagados
Sobre o valor em dinheiro

Japonês foi o primeiro:
"Três milhões é o valor
Um milhão, materiais
Um milhão é do labor
O meu lucro é o que sobra
Vai ficar supimpa a obra
Acredite, meu senhor"

Em seguida, ouve o gestor
Do empresário americano:
"Seis milhões é o meu preço
Comigo não tem engano
São dois pro material
Com dois pago o pessoal
Dois de lucro, não afano"

Depois veio com seu plano
O brasuca todo prosa:
"Faço por nove milhões
Essa ponte grandiosa"
O prefeito então se assusta
Dizendo que não é justa
A proposta indecorosa

Sobre a quantia vultosa
Esclarece o tal sujeito:
"Três milhões são para mim
E três pro senhor, prefeito
Depois nós pagamos três
Para aquele japonês
Deixar o trabalho feito"

"Explicando desse jeito
Com você fico acertado
Conseguiu me convencer
C'o que foi argumentado
Aprovei o seu pedido
O martelo está batido
Esse negócio fechado!"


* Adaptação de piada

PRESENTE TROCADO

Em viagem à Europa
Saudoso da namorada
O rapaz entra na loja
E se lembra da amada
Escolhe um belo presente
Muito chique, diferente
Uma luva aveludada

A funcionária, coitada
Depois de fazer a venda
Por engano, entrega ao cara
Uma calcinha de renda
Num embrulho similar
Ao que devia entregar
Assim foi a encomenda

C'o mimo pra sua "prenda"
Linda mensagem seguia
Da forma que se relata
O tal jovem escrevia:
"Querida, mesmo distante
Não esqueço um só instante
De você fada, magia"

"Nunca a vi usando um dia
Porém, quis fazer surpresa
Se pudesse estar aí
Ajudava a por, princesa
Quem vendeu me disse, amor
Não mancha, não sai a cor
Tem qualidade e nobreza"

"Vai ficar uma beleza
Isso eu posso garantir
Pois pedi pra balconista
Experimentar, vestir
Eu achei sensacional
Larga na parte frontal
As mãos não vai comprimir"

"Se um mau cheiro sentir
Depois da utilização
Pelo avesso vire logo
Ponha talco nela, então
Eu espero que se agrade
Fiz em nome da saudade
Que me aperta o coração"

"Oxalá linda, paixão
Você fique satisfeita
Porque eu fiquei demais
Eis a coisa mais perfeita
Que servirá pra cobrir
O que breve irei pedir
Você sabe, é minha eleita"


* Adaptação de piada

PAIS E FILHOS (CURTINHAS)

No quintal do seu vizinho
Em cima da goiabeira
O sacana do Joãozinho
Se fartava na fruteira
O vizinho fala: "sai
Vou contar para o seu pai
Seu ladrãozinho paspalho"
O garoto disse: "conta!"
Para o outro lado aponta
"Ele está naquele galho..."

***

Vendo a garota fumando
Seu pai a pergunta fez:
"Você fuma desde quando?"
"Ah, desde a primeira vez..."
"Já perdeu a virgindade?
Como foi? Conte a verdade
De mim não esconda nada"
"Oh, meu pai, o que lhe digo
É que lembrar não consigo
Pois estava embriagada"

***

O pai fica preocupado
Ao pegar o boletim
Em um papo reservado
Ele fala ao filho assim:
"É último entre vinte"
A resposta é a seguinte:
"Bem pior podia ser"
"Mas, pior... Não me atormenta!"
"Em vez de vinte, quarenta
A classe podia ter"

MUI AMIGO...

Durante aquela caçada
Acontece um acidente
O homem leva picada
De venenosa serpente
O seu órgão genital
Inusitado local
Foi o alvo da mordida
Correndo grande perigo
Ele pede pro amigo:
"Por favor me salve a vida"

De posse dum celular
Daqueles de longo alcance
O outro logra ligar
Vislumbrando alguma chance
Relata para o doutor
Toda aquela grande dor
Por que passa o companheiro
O médico lhe orienta:
"Desse jeito, cara, tenta
Mas tem que fazer ligeiro"

"Do local da mordedura
Sugue todo o sangue preso
Seu parceiro terá cura
Dessa vai sair ileso
Procedendo assim, garanto
Será evitado pranto
Pela morte do rapaz
Não seja com ele omisso
Vá logo, já faça isso
E prove que é capaz"

O mordido, em aflição
Pergunta, desesperado:
"Diga qual a solução
Que conselho lhe foi dado?"
A resposta vem a jato
"Eis o lamentável fato:
Nada se pode fazer
Repetir é tão ruim
O doutor me disse assim:
Amigo, tu vais morrer..."


* Adaptação de piada

A MORTE DO PAPAGAIO

O caseiro da fazenda
Urgente faz ligação
Vai logo dizendo assim
Pro seu querido patrão:
"Seu papagaio morreu
Não brigue comigo, não!"

"O meu louro campeão
Que ganhei recentemente?"
"Ele mesmo, Seu Alberto
Eu lamento o acidente
Foi comer carne estragada
Faleceu tão de repente!"

"O que fez, seu indecente?!
Deu carne pro animal?"
"Não senhor, vou explicar
Ele foi lá no quintal
Ao ver o cavalo morto
Comeu dele, passou mal"

"Mas que cavalo, afinal?"
"O alazão premiado!
Puxando carroça d'água
Ficou bastante cansado
E morreu foi de fadiga
Está lá, estatelado"

"Ai meu Deus, era estimado!
Mas... Água? Por que motivo?"
"Para apagar o incêndio
Quase que não saio vivo
Sua casa pegou fogo
Eu fugi... Foi instintivo"

"Meu patrão, eu não me esquivo
De lhe falar a verdade
A vela caiu no chão
Foi tamanha a claridade
Incendiou a cortina
Que baita calamidade!"

"Mas tem eletricidade...
Pra quê vela, camarada?"
"Do velório, Seu Alberto
Da sua mãezinha amada
Sem aviso, veio aqui
Com bala foi alvejada"

"Eu confundi a coitada
Achei que fosse bandido"
Nessa hora, Seu Alberto
Em prantos, entristecido
Não consegue mais falar
Sabendo do acontecido

O caseiro, ao seu ouvido:
"Não acredito, senhor
Por causa dum papagaio
É tão grande a sua dor?
Se soubesse, nem daria
A notícia da agonia
Do seu bicho de valor..."


* Adaptação de piada

GRAMÁTICA MALUCA: OS TIPOS DE SUJEITO

Pervertendo a gramática
Eu vou colocar em prática
Meu plano mirabolante
Do sujeito vou falar
Doutra forma abordar
A matéria importante

Se posses ele não tem
Talvez como Zé Ninguém
Ele seja rotulado
Tendo a vida sem requinte
O seu tipo é o seguinte:
Sujeito "simples", ferrado

Se ele for um militar
Decerto vai envergar
Sua patente com gosto
Porém, não deixa de ser
O que vamos conhecer
Como um sujeito "com posto"

Se ele for um ladrão
Ou ainda um ricardão
Para a vítima um insulto
Às vezes desconhecido
Por ficar sempre escondido
Dizemos: sujeito "oculto"

Se rolar alguma festa
E a garota alguém molesta
Após ter se embebedado
Sobrevindo a gravidez
Diz-se do cabra que fez
Sujeito "indeterminado"

Se a mulher suplica a Deus
Que alegre os dias seus
Com um cidadão direito
Não lhe vindo esse rapaz
Classificação se faz:
É oração sem sujeito

QUANDO A DROGA ENTRA NO LAR/UM FILHO ESTÁ DE SAÍDA

Esse mote, muito atual, foi proposto pelo poeta ARISTÓTELES LIMA, a quem muito agradeço.



A nossa sociedade
Lamenta um triste cenário
Traficante sanguinário
Não tem sensibilidade
À criança em tenra idade
Porcaria oferecida
Que depois de consumida
Com certeza vai matar
QUANDO A DROGA ENTRA NO LAR
UM FILHO ESTÁ DE SAÍDA

É medida de emergência
Combater a bandidagem
Acabar c'a sacanagem
Dos ladrões da inocência
Senão irá à falência
A família tão querida
Em pedaços, destruída
No mais baixo patamar
QUANDO A DROGA ENTRA NO LAR
UM FILHO ESTÁ DE SAÍDA

Nem o pobre estudante
Hoje em dia tem sossego
Na escola mesmo é pego
Pelo cruel meliante
Uma cena preocupante
Fere o peito, é dolorida
Vemos se esvair a vida
E muitos pais a chorar
QUANDO A DROGA ENTRA NO LAR
UM FILHO ESTÁ DE SAÍDA

Esse vício dilacera
Corpo, mente, tudo enfim
O que traz sempre é ruim
A plena tristeza gera
Numa angustiante espera
Por uma justa medida
A população perdida
Não cansa de reclamar
QUANDO A DROGA ENTRA NO LAR
UM FILHO ESTÁ DE SAÍDA

No laço do entorpecente
O jovem se vê envolto
Muitas vezes não é solto
Pois se torna um dependente
Deste mundo, infelizmente
Não raro faz despedida
Após a luta sofrida
Não consegue se livrar
QUANDO A DROGA ENTRA NO LAR
UM FILHO ESTÁ DE SAÍDA

Precisamos deste brado
É um necessário alerta
Queremos ver se desperta
De uma vez o nosso estado
Um povo desesperado
Não aguenta mais a lida
A dura batalha tida
Em tudo quanto é lugar
QUANDO A DROGA ENTRA NO LAR
UM FILHO ESTÁ DE SAÍDA

UMA VIAGEM ABSURDA

Viajei pro Pantanal
Em cima de uma rena
No caminho Lampião
Olha pra mim e acena
Vi Hitler numa porteira
Tão magro que me deu pena

Numa casinha pequena
Eu passei a noite fria
Encontrei por lá três homens
Seguindo a estrela guia
Cada um dos coronéis
O seu presente trazia

Parti quando se fez dia
Enfrentei foi grande chuva
Minha rena pegou gripe
Eu pus nela uma luva
Esgotado me deitei
Debaixo dum pé de uva

Uma formiga saúva
Mordeu bem nas minhas partes
Quem cuidou do ferimento
Foi o Pedro Malazartes
Vinha ele com a tropa
Cavalos e estandartes

Eu comprei dois bacamartes
Porque vi Napoleão
Com seus soldados marchando
No meio do cerradão
Dei três tiros para cima
Foi aquela claridão

Houve logo dispersão
Fugiram em disparada
Até duas cobras cegas
Saíram em revoada
A mulher dum fazendeiro
Correu nua, espantada

A rena morreu, cansada
Eu aluguei um jumento
Tinha sido de Dom Pedro
Era velho e fedorento
Prossegui no meu caminho
E saí cortando vento

Conseguindo meu intento
Cheguei na beira dum rio
Vi urso, pinguim, camelo
E foca, leão, bugio
Vejam só como é que é
Lá não tinha jacaré
Tuiuiú nem sucuri
Eu fiquei muito invocado
O mapa tava trocado
Não soube onde era ali



* Mais uma homenagem a Zé Limeira

CAMPEÕES DA COPA DO BRASIL

Do certame que reúne
Todas as federações
Falo agora, meus amigos
Arrolando os campeões
De todas as vinte e duas
Citadas competições

Sentiu fortes emoções
Todo torcedor gremista
Em oitenta e nove o time
Conseguiu dita conquista
Na final vence o Sport
Eu começo assim a lista

Em noventa, o flamenguista
Uma festa grande faz
A equipe rubro-negra
Estava com todo gás
Leva a taça para o Rio
Campeã sobre o Goiás

Criciúma foi tenaz
Fez história ao desbancar
Toda a tradição do Grêmio
Assim, foi comemorar
Estando em noventa e um
No seu mais alto lugar

A mim resta lamentar
Quando lembro passo mal
Na Copa, em noventa e dois
Vi o Internacional
Levantar esse troféu
Vencendo o Flu na final

Nove três, sensacional
Foi certo time mineiro
Porque suplantou o Grêmio
Tão conhecido copeiro
Levando pras Alterosas
A glória... Salve Cruzeiro!

O torcedor brasileiro
Viu o Grêmio novamente
Na final desse torneio
Era equipe competente
Em nove quatro venceu
Ceará? Vice somente...

Eita gaúcho insistente!
Em nove cinco, outra vez
O Grêmio disputa a taça
Porém, digo pra vocês
Campeão foi o Corinthians
Que festa bonita fez

Demonstrando solidez
A Raposa das Gerais
Pro Palmeiras deixa o vice
O Cruzeiro foi demais
Em noventa e seis vencendo
Foi manchete nos jornais

Os gremistas maiorais
Em noventa e sete, sim
O Flamengo experimenta
Aquele sabor ruim
De ficar só em segundo
Após se esforçar, enfim

Nove oito foi assim:
Uma final repetida
Palmeiras versus Cruzeiro
Mas a glória invertida
Os paulistas dão o troco
A taça foi conseguida

A Copa cá referida
Reservou outra surpresa
Nove nove, o Botafogo
Experimentou tristeza
Perdeu para o Juventude
Gaúchos foram dureza

Cruzeirense diz: "beleza!"
No certame de dois mil
Afinal, seu clube ganha
Essa Copa do Brasil
Deixa o vice com São Paulo
Festejou o time anil

Alegria juvenil
Outra vez pra gauchada
O Grêmio foi campeão
Hegemonia alcançada
Em dois mil e um o vice
Ficou pra corinthianada

Na seguinte temporada
O Corinthians, então, ganha
A torcida faz barulho
Felicidade é tamanha
O Brasiliense, vice
Não consegue essa façanha

O Cruzeiro faz campanha
Decerto pra lá de boa
A trajetória brilhante
Em dois mil e três coroa
Supera o Flamengo e vibra
No país seu grito ecoa

Santo André não chega à toa
Na final do campeonato
Em dois mil e quatro alcança
Seu ouro, o desiderato
Deixa o Flamengo pra trás
Foi surpreendente fato

Agora é que me maltrato
Infausto acontecimento
Se deu em dois mil e cinco
Dói lembrar de tal momento
O Paulista vence o Flu
Arre! Quanto sofrimento

Prossigo o arrolamento
De meus versos não olvide
O Clássico dos Milhões
Em dois mil e seis decide
O Flamengo vence o Vasco
Isso mesmo, não duvide

Enfim, o meu Flu progride
Coloca a faixa no peito
Recordo dois mil e sete
Ser isento não tem jeito
Pior para o Figueirense
Com a cena me deleito

Conseguiu um grande feito
Um time pernambucano
Em dois mil e oito Sport
Foi valente, soberano
Lamentou sua derrota
Torcedor corinthiano

Eis que o time paulistano
Em dois mil e nove alcança
O topo de tal peleja
A galera faz festança
Internacional gaúcho
Naquela disputa dança

Em dois mil e dez se lança
Integrando a galeria
O Santos ergue o caneco
Detona, não alivia
Amansa um certo leão
O Vitória da Bahia

TEU SORRISO DE ADEUS SE FEZ SEMENTE/NO MEU PEITO BROTOU ESSA SAUDADE

Navegando na dor perene e forte
Eu contemplo um semblante em fantasia
Vejo a treva e se instala uma agonia
"Onde estás?" Eu pergunto já sem norte
Não há nada no mundo que conforte
A tristeza fatal domina, invade
Solidão é cruel realidade
Que me açoita doída, mui pungente
Teu sorriso de adeus se fez semente
No meu peito brotou essa saudade

Quando lembro de ti pereço em pranto
Não há luz nem perfume na jornada
A partida da bela, doce amada
Pôs angústia em minh'alma... Sofro tanto!
Nas lembranças eu busco um acalanto
Sem querer aceitar dura verdade
O castelo ruiu... Felicidade
Só consigo assistir mesmo na mente
Teu sorriso de adeus se fez semente
No meu peito brotou essa saudade

Os meus dias parecem não ter fim
Coração me perturba, sou tristonho
Embarquei na viagem desse sonho
Esperando voltares para mim
Incerteza me aflige... Isso é ruim
Céu cinzento não é mais novidade
Já nem sei se aguardar tem validade
O relógio trabalha lentamente
Teu sorriso de adeus se fez semente
No meu peito brotou essa saudade

Procurando meu chão tenho insucesso
Os meus pés já não sentem piso algum
A rotina de choro é tão comum
Me parece infindável tal processo
Esquecer-te de vez a Deus eu peço
Para andar novamente à claridade
Eu confesso encontrar dificuldade
Pra viver sem que estejas cá presente
Teu sorriso de adeus se fez semente
No meu peito brotou essa saudade

CAMPEÕES BRASILEIROS

Nesses versos de cordel
Esse humilde menestrel
Vai falar de futebol
O certame principal
Dessa paixão nacional
Tem seus campeões em rol

Nas Gerais se ouviu estalo
Em setenta e um deu Galo
Bravo Atlético Mineiro!
Um paulista vem depois
Palmeiras, setenta e dois
Deu Verdão todo faceiro

Palmeiras, vejam vocês
De novo em setenta e três
Não teve nenhum fiasco
Em setenta e quatro digo
Minha amiga e meu amigo
Lá do Rio, venceu o Vasco

Sete cinco, pessoal
Só deu Internacional
Ganhou o troféu de luxo
Novamente em sete meia
Deu Colorado na veia
Vivas ao time gaúcho

Sete sete quem conquista
É o Tricolor Paulista
São Paulo foi vencedor
Sete oito, o Brasileiro
Foi pro Bugre Campineiro
Guarani mostrou valor

Grande festa se promove
Deu Inter em sete nove
Ganhando a terceira vez
Flamengo brilha em oitenta
E naquele ano ostenta
A taça pelo que fez

Em oitenta e um foi Grêmio
O dono do dito prêmio
Nos Pampas teve explosão
De mãos essa faixa troca
Rubro-negro carioca
Oito dois foi campeão

Oito três repete o feito
Nova estrela põe no peito
Flamengo foi ganhador
Não vou ser imparcial
Oito quatro, o maioral
Meu Fluzão, Eterno Amor

Coritiba, o Coxa Branca
Para o título arranca
Oito cinco foi o ano
São Paulo vem na sequência
Demonstrando competência
Oito meia, o soberano

Oito sete, a discussão
Teve a Copa União
Pelo Flamengo vencida
Confederação, porém
Disse que o Sport tem
A conquista merecida

Oito oito deu Bahia
Boa terra em alegria
Na celebração se inflama
Oito nove se alucina
A torcida cruzmaltina
Louros pro Vasco da Gama

Um novato se apresenta
Deu Corinthians em noventa
A Fiel vibrou bastante
Lá da Terra da Garoa
São Paulo fica na boa
Em noventa e um, brilhante

Nove dois Flamengo ganha
Celebra sua façanha
Com felicidade extrema
Em noventa e três, moçada
Essa glória é alcançada
Por Palmeiras, sem problema

Em noventa e quatro, bis
Palmeirense bem feliz
Seu triunfo comemora
Exibindo seu bom jogo
Nove cinco, Botafogo
Botou o grito pra fora

Em noventa e seis no Sul
Em preto, branco e azul
Gremista vibra, contente
Deu Vasco em noventa e sete
Um troféu no clube mete
Foi ao topo novamente

Corinthians logrou vencer
Pra torcida enlouquecer
Nove oito tá marcado
Na outra competição
Nove nove, deu Timão
Alvinegro festejado

Triunfante em dois mil
Pela quarta vez, Brasil
O Vasco fez seu barulho
Em dois mil e um quem vence?
Atlético Paranaense
Pra torcida ter orgulho

O Santos, Peixe chamado
Esse troféu cobiçado
Em dois mil e dois levanta
Em dois mil e três (que espera!)
Cruzeiro faz a galera
Por o grito na garganta

De gravar aí não deixe
Em dois mil e quatro, o Peixe
Foi primeiro colocado
Em dois mil e cinco emana
Da massa corinthiana
Pela glória um forte brado

Meus amigos, vejam essa
Em dois mil e seis começa
A sequência são-paulina
No seguinte, filme igual
Campeonato nacional
O São Paulo é que domina

Ganhando mais um ainda
Em dois mil e oito finda
São Paulo essa trilogia
Depois disso, já sabemos
Em dois mil e nove temos
Flamengo c'a honraria

Após tanta ladainha
Brasa pra minha sardinha
Vou puxar, eu não aguento
Espero em dois mil e dez
Ver meu FLU brilhar c'os pés
Eis desejo que acalento

PLANETA EM ALERTA

Insensato, o ser humano
Destrói sua própria casa
A Terra, cruel, arrasa
Sem ter dó nem piedade
Tudo em nome da ganância
Que no seu peito carrega
Uma busca infame, cega
Por dinheiro... Insanidade!

O verde tão necessário
Sofre vil devastação
Quando não lançado ao chão
Padece pelas queimadas
É vida virando cinza
É pranto da natureza
Morrendo, triste, indefesa
Fogo, serras, machadadas...

Cursos d'água também sofrem
Deveras contaminados
Neles são depositados
Lixo e tudo que não presta
Rios, lagos e lagoas
São vitimados por danos
Inclusive os oceanos
Hoje em dia se molesta

A fauna reclama à beça
Da matança sem medida
Impunemente agredida
Vê sumir seus exemplares
Animais em extinção
Outros tantos enxotados
Expulsos, pobres coitados
Das florestas, seus lugares

Nosso ar, nosso alimento
Outrora limpinho, puro
Parece que no futuro
Não será mais respirável
Em velocidade imensa
A poluição avança
Abalando a esperança
Duma vida bem saudável

A temperatura sobe
Que calor descomunal
O momento é crucial
Precisamos refletir
Nosso lar requer carinho
Não neguemos atenção
A dica: preservação
Ele, assim, vai nos servir

Nos quatro cantos do mundo
Mudar o comportamento
Ter mais comprometimento
Vai redundar em sorriso
Agindo doutra maneira
O planeta transformamos
Naquilo que imaginamos
Basta apenas ter juízo

domingo, 14 de novembro de 2010

SALMO 3

Eu vejo os adversários
Insensatos, sanguinários
Meu Senhor, multiplicados
Querendo ver o meu fim
Se levantam contra mim
Até os dentes armados

Eles me desejam triste
Dizendo que não existe
Pra mim socorro Divino
Contudo, sou sabedor
Que meu Deus, o Criador
Olha pelo meu destino

Não ligo pra tanto insulto
Porque Tu dizes: "exulto
A cabeça de meu servo"
Tu dás auxílio constante
Eu te exalto a todo instante
Confiança em Ti preservo

Contra o inimigo, algoz
Ao Senhor, com minha voz
Eu suplico proteção
Lanço olhar no horizonte
E ELE do Santo Monte
Responde minh'oração

Eu deito e durmo tranquilo
No leito posso senti-LO
Meu ser leve se contenta
Desperto faceiro e ledo
De ninguém guardo segredo
Esse bom Pai me sustenta

Numa força grande creio
Por isso jamais receio
Mesmo dez mil inimigos
Existe um poder maior
Que, presente ao meu redor
Repele quaisquer castigos

De acreditar não deixo
Levantas, feres o queixo
Dos que querem o meu mal
Quebras, meu Senhor, os dentes
Dos malvados oponentes
Pro seu filho és o tal

Dele vem a salvação
Ele é nossa redenção
Com seu povo é cuidadoso
Escutando o que reclama
Todas as bênçãos derrama
Pai Celeste poderoso



* Versão em cordel

CONTANDO VANTAGEM

Trata-se de um desafio fictício, entre os poetas "A" e "B", no qual foram usados alguns tipos de estrofes. Não há, contudo, a pretensão de esgotar todas as possibilidades, que são muitas.


A

Ei, poeta, chegue aqui
Sua rima quero ver
Dou-lhe aula na sextilha
Ensinar é meu prazer
Não recuse o desafio
Queira já se defender


B

Jamais vou me esconder
De um bardo assim tão fraco
Cantador da sua marca
Mando logo pro buraco
Você hoje apanha tanto
Vai ficar somente o caco


A

Amigão, não encha o saco
Eu lhe peço por favor
Quão risível é seu porte
Você tem pouco valor
Não consegue fazer frente
Porque sou seu professor


B

Eu sou bom versejador
Sigo a deixa sem demora
Se quiser mudar o estilo
Aproveite, faça agora
Estou pronto, menestrel
Disto aqui não vou embora


A

Você tá muito por fora
Na setilha sou o tal
Vou bater mesmo sem dó
Neste embate cultural
Escute, seu infeliz
Não passa dum aprendiz
Comigo vai se dar mal


B

Usando meu arsenal
Acabo com sua raça
Pelejando com o mestre
Não consegue fazer graça
Não fique só no discurso
Demonstre que tem recurso
Um quadrão agora faça


A

Eu não estou pra pirraça
Quem me enfrenta só fracassa
Por dificuldades passa
Sente o gosto d'aflição
Anote logo a lição
Aluno, exijo respeito
Meu verso não tem defeito
Nestes oito do quadrão


B

Que desaforo sem jeito
Petulância não aceito
Vá murchando logo o peito
Pare de malcriação
Comigo não tem perdão
Você está amarelo
Mude o rumo do duelo
Deixe os oito do quadrão


A

Pela boa rima zelo
Porque sou muito polido
Com meu verso limpo e belo
Seu lombo fica doído
Quem encontro pela frente
Minha mão pesada sente
Eu não receio oponente
No Oitavão Rebatido


B

Tá posando de valente
Seu cabra desenxabido
Você vai ficar doente
Muito triste e deprimido
Recolha a sua viola
E meta nessa sacola
Largue mão de ser gabola
No Oitavão Rebatido


A

Vá baixando a sua bola
Doutra forma agora canto
Quero ver você em pranto
Retornar para a escola
Sem coelho na cartola
Não pode ser exibido
Se ainda não tá perdido
Saia dessa, camarada
Para não levar paulada
Nos dez de queixo caído


B

Eu ando por essa estrada
Há tempos, meu caro irmão
Para sua informação
Minha verve é premiada
Você não está com nada
Apenas é enxerido
É fracote, combalido
Não faz medo, com certeza
Se quer, eu mostro destreza
Nos dez de queixo caído


A

Sendo o vate ruim não dou moleza
E respondo em martelo agalopado
Se puder, faça logo, meu prezado
Nesse estilo também sua defesa
Não demore, eu lhe peço a gentileza
O meu tempo é escasso e valioso
Sou, de fato, cruel e bem tinhoso
Não dou chance a você, principiante
Vem aqui, todo prosa e confiante
Sem saber que meu verso é perigoso


B

Não devia ficar tão orgulhoso
No chinelo eu lhe deixo no cordel
Conhecendo um pouquinho meu cartel
Vai tremer porque sei como é medroso
Enfrentei e ganhei, todo garboso
Desafios diversos pelo mundo
Caso queira algum dia ser segundo
Eu ensino a fazer algo decente
Ser primeiro só sonhe mas não tente
Sou melhor, entretanto nem difundo


A

Eu quero externar meu respeito profundo
Ao ver seu talento, seu dom, competência
Receba do povo e de mim reverência
Provou que seu estro é, de fato, fecundo
De boa linhagem lhe vejo oriundo
Contente, parceiro, desejo encerrar
Foi linda a peleja, gostei de cantar
Envio um abraço de muito obrigado
Dizendo até breve, poeta estimado
Num belo galope na beira do mar


B

Celebro contar com você do meu lado
Registro igualmente sem par alegria
Saudável, gostosa se fez cantoria
Num nível bacana, bastante elevado
Amigo, sou grato por ter pelejado
Espero, decerto, outra vez lhe encontrar
Verter muitas letras, feliz versejar
As suas palavras rimadas, as minhas
Sextilhas, setilhas, oitavas, dez linhas
Até num galope na beira do mar

SALMO 90

Geração em geração
És refúgio e proteção
Oh, Senhor, dos filhos teus
Os montes tu precedeste
Este mundo concebeste
Bem antes já eras Deus

Ao pó nos reduzes, Pai
Ademais, dizes: "voltai"
Infinito é teu poder
Para nós mortais, humanos
Aquilo que são mil anos
Um dia pra ti vão ser

Deveras Onipotente
Ages como uma torrente
Tua obra é logo feita
Como sendo erva que cresce
Inda de manhã floresce
À tarde se faz colheita

Pela ira consumidos
Pelo furor afligidos
Todos somos conturbados
Diante de ti puseste
De forma clara, inconteste
As nossas falhas, pecados

Quase nada aqui se escreve
Nossa vida é muito breve
Possui curta duração
Nossos anos esmaecem
Como suspiros perecem
Na tua indignação

Dessa ira, Pai querido
Do temor que é devido
Devemos ter consciência
Oxalá sejas o guia
Pra buscarmos dia a dia
Ter no peito sapiência

Nós rogamos compaixão
Estendes a tua mão
Pros teus servos tão carentes
Espalhes tua bondade
Concedas a piedade
Pra ficarmos mui contentes

Andamos pelo negror
Pedimos, pois, ao Senhor
Que derrames tua glória
Suplicam esses teus filhos
Cubras de bênçãos os trilhos
E de luz a trajetória




* Versão em cordel

SALMO 139

Todo o meu comportamento
Meu viver, meu pensamento
Tu conheces, Pai querido
Ainda que não me expresse
Meus sentires não confesse
De mim tudo tens sabido

Tu fazes perene escolta
Estás sempre à minha volta
Sobre mim a mão puseste
Eu fico maravilhado
Com esse tão elevado
Conhecimento celeste

Para onde irei? Pergunto
Deste filho estás bem junto
Não fujo dos olhos teus
Eu sinto em qualquer lugar
Céu ou cama tumular
A presença do meu Deus

Onde eu fizer morada
Nos mares, na alvorada
Tua mão se faz presente
Se de trevas me cobrir
Se meu dia não luzir
Tu fazes resplandecente

Fui por ti estruturado
Por tua mão fui moldado
Com destreza e com primor
Maravilhas construíste
Regozijo em mim existe
Recebas o meu louvor

N'oculto fui concebido
Com muito zelo esculpido
Tu me viste informe ainda
Antes mesmo de nascer
Ó, Senhor, foste escrever
Meu destino, história linda

Confesso com alegria
Pra mim têm grande valia
Os teus pensamentos, Pai
São deveras preciosos
Ademais, são numerosos
Teu olhar de mim não sai

Afastes todo o perverso
Não deixes que eu fique imerso
Nas águas negras do mal
Quem se volta contra o Rei
Como inimigo verei
Porquanto te sou leal

Conheças meu coração
Sujeita-me a provação
Examines meu pensar
Se minh'alma se desvia
No caminho bom, meu Guia
Certamente quero estar


* Versão em cordel

SALMO 38

Da tua ira, Senhor
E de todo o teu furor
Quero ser, ó Pai, poupado
Tuas flechas me encontraram
Em mim elas se cravaram
A tua mão tem pesado

Padeço na tua fúria
Carne e osso são penúria
Meu pecado é a razão
Ante à minha iniquidade
Não há possibilidade
De suportar a pressão

Por causa dessa loucura
Pras chagas não tenho cura
Estão podres, purulentas
Meu Deus, eu só tenho andado
Abatido e encurvado
Lamentando essas tormentas

Os ombros ardem bastante
Meu coração suplicante
Não tem mais tranquilidade
Diante do Pai eu choro
Suspirando a ti, imploro
Não me escondo da verdade

Meu peito se movimenta
A força de mim se ausenta
Falta aos olhos fulgurância
Meus parentes e amigos
Notando as chagas, castigos
Agora estão à distância

Os que desejam má sorte
Procuram a minha morte
Armando seus laços vis
C'o que dizem não me aturdo
Me faço de mudo e surdo
Enfrentar assim eu quis

Por ti, meu Senhor, espero
O meu desejo sincero
É ter a tua resposta
Aguardando ser ouvido
Não quero ficar perdido
Contra quem de mim não gosta

Está perto o meu tropeço
Cheio de dor permaneço
Sofrendo, Senhor da luz
Muita falha em mim existe
Pecado me deixa triste
Amargura me conduz

Tenho inimigos robustos
Muitos deles são injustos
Sem motivo algum me odeiam
Na senda do bem eu ando
Os que estão me observando
Nos campos do mal passeiam

Seja em quaisquer lugares
Senhor, não me desampares
Estendas sempre tua mão
Meus suplícios são as senhas
Em meu auxílio, Pai venhas
Em ti tenho a salvação


* Versão em cordel

BRASIL MISCIGENADO

Quando a turma de Cabral
Fez o tal "descobrimento"
Deu de cara c'os silvícolas
Sem roupas, com tudo ao vento
As índias belas, peladas
Logo, foram desejadas
Foi grande o encantamento

Ocorreu envolvimento
Nativos com europeu
Da mistura desses povos
O mestiço decorreu
Índio e branco, vuco-vuco
O caboclo ou mameluco
Em nove meses nasceu

Depois dum tempo se deu
A vinda dos africanos
Pra serem escravizados
Quão infames esses planos
Surgia outro personagem
Pra fazer a mestiçagem
Com índios e lusitanos

Entre dois grupos humanos
Inevitável contato
Resultou noutro mestiço
Do que neste instante trato
Branco e negro deram vez
Após finda a gravidez
Ao conhecido mulato

Aprendiz de literato
Estrofe nova produzo
Pra falar doutra figura
Do verso vou fazer uso
No cordel educativo
Tem africano e nativo
Negro e índio dá cafuzo

Assim, falo do intruso
Do selvagem, do escravo
Quero ver se desse jeito
Duma forma fácil gravo
Abordar essa mistura
Dentro da literatura
Tenho como pretensão
Espero não ser maçante
Eis o trio resultante
Da tal miscigenação

SALMO 63

Ó Senhor Deus, poderoso
Eu Te busco, ansioso
A minh'alma por Ti chama
Numa terra ressequida
Minha carne, por sofrida
Tua presença reclama

Para que eu possa ver
Tua glória e teu poder
Te contemplo, Pai amado
Por seres demais benigno
Do meu louvor tu és digno
Sempre serás celebrado

Enquanto viver, destarte
Bendirei em qualquer parte
O meu Guardião e Guia
Em teu nome sacrossanto
As minhas mãos eu levanto
Seja noite, seja dia

Minh'alma contém fartura
Tal como plena em gordura
Em tutano ou similar
A minha boca Te exalta
Motivo nenhum me falta
Pra que possa me alegrar

Quando me encontro no leito
Do Pai lembro satisfeito
À noite, em Ti medito
És a luz que me auxilia
Esse canto de alegria
É meu rotineiro rito

Na mão sagrada me apego
Regozijante me entrego
À maior das fortalezas
Meu caminho se ilumina
Quem me deseja ruína
Irá pra as profundezas

Perante a tua espada
Será, pois, aniquilada
Toda ordem de algozes
Deles me guardar Tu vais
Serão pasto pros chacais
Cessarão as suas vozes

Aquele que por Deus jura
Tem alívio pra tortura
É sujeito venturoso
Alegre, verá tapada
Notadamente calada
A boca do mentiroso


* Versão em cordel

A SANGRENTA HISTÓRIA DO 'SETE ORELHAS'

Januário Garcia Leal era
Fazendeiro tranquilo e bem pacato
Viu mudar seu destino de repente
Em razão dum cruel e triste fato
João Garcia Leal, o seu irmão
Padeceu num medonho assassinato

Sete homens covardes, em vil ato
Numa árvore ataram o sujeito
Toda pele do corpo retiraram
Januário, ao saber do que foi feito
Quis vingar a barbárie contra João
Planejou dar o troco do seu jeito

Na colônia, a justiça e o direito
Sendo omissos diante da maldade
Acabaram deixando os assassinos
Sem prisão... Revoltante a liberdade
Januário, por isso, corre atrás
De remédio pra tanta impunidade

Os autores de tal barbaridade
São caçados por dito vingador
Com Mateus, o seu tio, ele se junta
Inda chama um irmão, o Salvador
A sentença de morte é decretada
Tem início a história de terror

Decidiu-se que cada matador
Deveria pagar c'a própria vida
Só assim a missão dos justiceiros
Estaria acabada, bem cumprida
Um detalhe merece ser citado
Na tarefa sinistra concebida

Uma vez cada morte concluída
As orelhas dos mortos são cortadas
Num macabro cordão, estranho um tanto
Todas elas lograram ser juntadas
Completado o cordão das sete orelhas
Qual troféu, com prazer, foram mostradas

Vingadores deixaram alarmadas
As pessoas que estavam no poder
Inclusive os agentes da Coroa
Januário caçaram pra valer
Satisfeito, porém, só ficaria
Terminando o que tinha pra fazer

Sossegou, finalmente, ao perceber
No cordão, a orelha derradeira
Escreveu sua saga em tinta forte
Nos registros da pátria brasileira
Foi pior - muitos dizem - que Silvino,
Lampião Virgulino e Cabeleira

Essa história sangrenta e verdadeira
Teve palco no solo das Gerais
Fez tremer na então capitania
Estruturas até policiais
Januário enfrentou com o seu bando
Aparatos da corte, oficiais

Tenebroso o relato é por demais
Dessa forma se deu a ocorrência
Resumindo, falei do "Sete Orelhas"
Trajetória de dor e violência
Outra vez, meus amigos, agradeço
A leitura, atenção e paciência

DIA DO ORGASMO

Este dia trinta e um
Poderia ser comum
Se não fosse dedicado
À gostosa sensação
Presente na conclusão
D'um ato realizado

Um negócio que arrepia
Relaxa e traz alegria
Pra longe manda o marasmo
Aquele que experimenta
Certamente se contenta
Hoje é Dia do Orgasmo

Num momento antecedente
Sedução se faz presente
Por aí tudo começa
A conquista dá mais graça
Quem pros "finalmente" passa
Vai errar devido à pressa

Amantes sintonizados
Encontram-se preparados
Pra dar vazão ao desejo
Intensa troca de olhares
Afagos, preliminares
Carinhos, toques, cortejo

Na tão esperada cena
A entrega há de ser plena
Explosão é consequência
Em recíprocos abraços
Satisfeitos, seres lassos
Após tanta efervecência

Dessa sequência redunda
A satisfação profunda
Enorme saciedade
Junto ao belo, junto à diva
Do quadro sempre deriva
Sem igual felicidade

Para virar os olhinhos
Diversos são os caminhos
Não se pode esquecer
Existem várias maneiras
Mais calmas ou mais arteiras
Pr'alcançar esse prazer

Pra não chorar no futuro
Deve ser, porém, seguro
O dito comportamento
Deixar fluir a emoção
Com desvelo e proteção
É a dica do momento


* Em 31/07/2010 *

SALMO 27

O Senhor é o meu guia
Os meus passos alumia
Ele é meu Salvador
Pela Sua força eu vivo
Não vejo nenhum motivo
Pra ter receio ou temor

Uns quiseram me ferir
Tentando me destruir
Pra fazer de mim banquete
Não corri quaisquer perigos
Nenhum desses inimigos
Logrou puxar meu tapete

Exércitos não me afligem
Alguns pra cá se dirigem
Mas não teme o coração
As guerras sem medo enfrento
Jamais são pra mim tormento
Confio na Santa Mão

Ao Senhor fiz um pedido
Buscarei ser atendido
Eu quero fazer morada
Em toda a minha existência
Ao lado da Onipotência
Dentro da Casa Sagrada

Nas minhas dificuldades
Intemperies, tempestades
Adentro Seu pavilhão
Decerto me esconderei
No abrigo do Meu Rei
Eu terei a proteção

Pelos céus abençoado
Deverei ser exaltado
Diante dos opressores
Na Casa Divina um canto
Em oferta a Deus, meu Santo
Conterá os meus louvores

Espinhosa vejo a luta
Ó Senhor, Meu Pai, escuta
Esse meu clamor em prece
A Sua resposta quero
A Bênção Divina espero
Eu sei que se compadece

Pediu-me: "buscai meu rosto"
Respondi: "farei com gosto"
Desejando a Sua glória
O meu coração me diz
Que serei muito feliz
Decorrente é a vitória

O Seu rosto não esconda
Nesta vida faça ronda
Uma enorme fé preservo
Esse auxílio é tão caro
Não me negue Seu amparo
Não rejeite o Seu servo

Caso eu seja abandonado
Ao relento for largado
Por minha mãe ou meu pai
Eu terei Sua acolhida
Não serei alma perdida
Seu filho amado não cai

Quero andar pela vereda
Serena, segura e leda
O caminho, ó Deus, ensina
Os seres maus me espreitam
Com meu pranto se deleitam
Ó, meu Senhor, ilumina

Vejo maldade tamanha
Uma desmedida sanha
Quão injusta a violência
A esse mal que persegue
Eu peço, Pai, não me entregue
Afaste a maledicência

Eu creio nessa bondade
O Senhor é a verdade
O meu Deus está aqui
Essa força nos redime
Meu irmão, também se anime
Quem espera Nele, ri


* Versão em cordel

AS SETE SÍLABAS POÉTICAS

Eu vou alugar seus olhos
Pra falar neste momento
Dum assunto até bem chato
Muitas vezes um tormento
A tal metrificação
Do cordel um elemento

Desde logo, saliento
Que nem sempre fica igual
A tal contagem poética
À dita gramatical
Trato aqui das sete sílabas
Veja só como é legal

Peço atenção pra tal
Pois é item importante
O tamanho de seu verso
Faz o texto elegante
Bem medido, redondinho
Elogios tem bastante

Eu lhe digo neste instante
Por esta rede eletrônica
A contagem dessas sílabas
Pra coisa ficar harmônica
Vai até somente a última
Que na linha for a tônica

A matéria é mnemônica
Eu vou explicar, destarte
Palavra no fim do verso
Pode fazer o descarte
De uma ou duas sílabas
Vamos falar dessa parte

Segundo as regras da arte
Consideramos inteira
Acaso seja oxítona
A palavra derradeira
Pois a sílaba final
É bem forte, altaneira

É feita desta maneira
Meu/ es/ti/ma/do/ lei/TOR
Em/ mai/ús/cu/la/ mar/QUEI
A/ten/te,/ fa/ça/ fa/VOR
A/té/ on/de/ vai/ con/TAR
Eu/ pin/tei/ com/ ou/tra/ COR

Você viu ainda eu por
Umas barras pelo meio
Inclusive um monossílabo
Mas deu pra enxergar, eu creio
Essas tais de sete sílabas
Desculpe se ficou feio

Não cessou o aperreio
Doravante, é comentada
A palavra paroxítona
Da forma explicitada
Sua sílaba final
Deverá ser desprezada

Desse jeito é demonstrada
Co/mo/ é/ su/a/ con/TA/gem
No/te/ bem,/ não/ é/ di/FÍ/cil
Es/sa/ é/ mi/nha/ men/SA/gem
A/pren/den/do/ di/rei/TI/nho
Bo/ta/ sa/ber/ na/ ba/GA/gem

Também falo de passagem
Nes/sa/ re/gri/nha/ po/É/ti/ca
Da/ nos/sa/ pro/pa/ro/XÍ/to/na
Du/ma/ for/ma/ bem/ sin/TÉ/ti/ca
A/té/ a/ an/te/pe/NÚL/ti/ma
A/ con/ta/gem/ vai,/ es/TÉ/ti/ca

Esta via cibernética
É dos melhores canais
Pra trocar informações
Então, compartilho mais
No meio do verso, amigo
Poderá unir vogais

As situações são quais?
Você pode perguntar
Eu respondo, sem demora
Que você pode juntar
Se a sílaba precedente
Átona você notar

Eu vou exemplificar
Co/mo é/fei/ta es/sa/jun/ÇÃO
Há duas no verso acima
Se prestou bem atenção
Se anteceder uma tônica
Não pode fazer, irmão

Chego aqui à conclusão
Esclarecendo, contudo
Esgotar todas as regras
Cá não fiz, eu não iludo
Eu somente repassei
Umas dicas de abelhudo

Não poso de sabe-tudo
Nas letras sou aprendiz
Apenas compartilhar
Esses macetes eu quis
Se conseguir ajudar
Eu vou ficar bem feliz

A SEXTILHA NA LITERATURA DE CORDEL

Eu peço sua licença
Pra falar da estrutura
Do cordel, tão lindo estilo
Dentro da literatura
Sou fã incondicional
Dessa popular cultura

A estrofe se costura
Com a metrificação
Com rimas muito perfeitas
E também com oração
Eu vou falar da sextilha
Preste bastante atenção

Ressalto, de antemão
Quadra foi utilizada
Estrofe de quatro versos
Hoje é pouco propagada
A de cinco, a quintilha
Está quase abandonada

A sextilha aqui citada
É usada largamente
Por diversos escritores
De nossa amada vertente
É estrofe de seis versos
É fácil, amigo tente

O que se vê comumente
No tocante ao seu esquema
É usar uma só rima
Que não tem qualquer problema
Basta ter inspiração
E escolher bem o tema

No seu mais simples sistema
Dessa forma é feito o texto:
Só rimam os versos pares
O segundo, quarto e sexto
Os demais ficam sem rima
Pra errar não tem pretexto

Sem sair desse contexto
A sextilha usei aqui
Um troço chamado "deixa"
Nestas linhas eu segui
Esclareço, sem demora
Como a obra construí

Meu perdão se confundi
Eu explico, meu leitor
"Seguindo a deixa" peguei
Da estrofe anterior
O seu verso derradeiro
E rimei c'o sucessor

É preciso ainda expor
Na sextilha são cabíveis
Esquemas outros, distintos
São nessa estrofe plausíveis
Estão à disposição
Alternativas incríveis

Dentre todos os possíveis
Do tal "aberto" tratei
Com rimas nos versos pares
Conforme já mencionei
Inclusive foi com ele
Qu'este texto elaborei

Há vários outros, eu sei
De mais dois apenas trato
O "fechado" é atrativo
Pro amigo literato
Não conhece, nunca viu?
A charada agora eu mato

As rimas pares, é fato
Entre si são combinadas
Primeira, terceira e quinta
Hão de ser também rimadas
Vou mudar o esquema agora
Para mostrar as danadas

As rimas são colocadas
Todas no lugar devido
Sonoras, sintonizadas
Fazem bem pro nosso ouvido
As palmas são variadas
O poeta é sempre lido

Outro esquema permitido
É chamado de "corrido"
Eita, que mudei de novo!
Foi somente pra mostrar
Como se pode criar
Uma estrofes dessas, povo

Assim, acho que promovo
O cordel, minha paixão
Espero, sim, ter cumprido
Mais uma boa missão
Se gostaram, agradeço
Até mais, um abração!




_________________

"Aberto", "Fechado" e "Corrido" são nomenclaturas usadas pela Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

DIA INTERNACIONAL DO HOMEM

Dessa aí eu não sabia
Não foi feito pouco caso
Antes tarde do que nunca
Com um dia de atraso
Falo do quinze de julho
Para o masculino orgulho
Com certeza, especial
Mundo afora celebrado
Ao homem é dedicado
Seu Dia Internacional

Dentre as variadas metas
Da criação desse dia
Há fazer dessa galera
Uma turma mais sadia
Melhorar a relação
E fazer a promoção
Da igualdade entre sexos
Combater o preconceito
Contra esse pobre sujeito
Dentre outros fins conexos

Belo papel desempenha
Em nossa sociedade
No trabalho e na família
Dentro da comunidade
No meio profissional
Bem como no parental
Se, com zelo, faz sua parte
É dito um cabra do bem
O prestígio grande tem
O nosso aplauso, destarte

Seja pai ou seja filho
O chefe ou subordinado
Professor, quem sabe aluno
O patrão ou empregado
O namorado ou ficante
Seja amado, seja amante
Fazendo bem seu papel
Demonstrando seu valor
Será um merecedor
De cumprimento e laurel

Pra você que se queixava:
"Eu quero uma data minha"
Ao ver o oito de março
Saiba que tem na folhinha
Uma data reservada
Para toda macharada
Deixe de reclamação
Queira, amigo, merecer
Sua conduta faz valer
A citada exaltação

GUILHERME TELL, O ARQUEIRO BOM DE MIRA

Onde é hoje a Suíça
Viveu esse herói famoso
Um arqueiro habilidoso
Na besta especializado
Eu falo agora em cordel
Dum certo Guilherme Tell
E de seu filhinho amado

Do instrumento aí citado
Somente a história resta
Era usada a dita besta
Para setas disparar
Guilherme no uso um ás
Certa feita foi capaz
Dum governante peitar

Quem mandava no lugar
Tirana e cruel figura
Num poste um chapéu pendura
Exigindo reverência
Todo aquele que passasse
E ao chapéu não se curvasse
Cumpriria penitência

Viu-se a desobediência
De Guilherme e seu herdeiro
Ele é feito prisioneiro
Pela falta cometida
Ausência de saudação
Redundou logo em prisão
Para afronta ser punida

A pena estabelecida
Pelo tal governador:
Deveria o infrator
Usando seu grande dote
Da arma lançar a seta
Tendo uma maçã por meta
Na cabeça do filhote

Sentindo um frio no cangote
Por ver o filho em perigo
Guilherme cumpre o castigo
Numa praça do local
Diante da multidão
Ele conclui a missão
De forma sensacional

Mostrando que era o tal
Gatilho da besta aperta
Num tiro preciso acerta
A maçã em sua frente
Sem tocar no seu pimpolho
Eita cabra bom de olho
Deixou vivo o descendente

O malvado dirigente
Percebendo que guardava
Outra seta, indagava
Se lhe tinha serventia
Responde: "pro meu conforto
Se meu filho fosse morto
Pra lhe matar usaria"

ESTÓRIAS DE MÉDICO (CURTINHAS)

De amnésia padecendo
O cara diz ao doutor:
"De tudo estou esquecendo
Me ajude por favor"
O doutor logo se intriga:
"Desde quando, amigo, diga
Isso perturba você?"
E responde o camarada
Com a cara assustada:
"Mas.. Desde quando o quê?"

***

Terminada a consulta:
"Seu doutor, quanto custou?"
"Quinhentos reais" escuta
Eis que o cara se assustou
E disse nesse momento:
"Mas não tem abatimento
Pr'um da mesma profissão?"
"Trabalhas com medicina?"
Responde a língua ferina:
"Não, doutor, eu sou ladrão"

***

Vai chegando o paciente
O doutor todo educado:
"O que é que você sente?"
"Meu problema é complicado
É tendência suicida
Eu quero tirar a vida
Uma solução me traga"
"Escute, meu companheiro
Eu lhe digo que primeiro
A consulta há de ser paga"

***

Bem ao lado do caixão
Uma coroa de flores
Em forma de coração
Um sujeito rindo horrores
Eis que a viúva diz:
"Escute aqui, infeliz
Era um bom cardiologista"
"Desculpe, estou a pensar
Como homenagear
O meu tio urologista"

PARÁBOLA DO SERVO IMPIEDOSO

Numa prestação de contas
Entre um rei e os empregados
Eis que surge um sujeito
No meio dos convocados
Sem dinheiro pra pagar
E poder assim saldar
Todos os acumulados

Aos valores avultados
Não chegava sua renda
O senhor deu logo a ordem
Para se fazer a venda
Desse servo, sua família
Dos seus bens, até mobília
Desse jeito recomenda

Ao sentir a reprimenda
O cara faz um pedido
Pro senhor ser paciente
Tudo seria adimplido
Dessa forma, sem demora
O senhor lhe manda embora
Por ficar compadecido

Com perdão para o devido
O servo sai, sorridente
Um colega, também servo
Ele encontra pela frente
Desse amigo era credor
Pressionando o devedor
Vai cobrá-lo, inclemente

O cara diz, simplesmente
Compreenda, camarada
A quantia que lhe devo
Decerto vai ser quitada
Eu só peço, meu amigo
Ter paciência comigo
A vida está complicada

A piedade é negada
Aquele não dá perdão
Devido à conta não paga
Mete o outro pra prisão
Quando os demais servos viram
Ao senhor se dirigiram
Contando a situação

Demonstrando irritação
O rei logo vai falar
C'o dito servo malvado
E começa a interpelar:
Quando teu lamento ouvi
Eu tive pena de ti
Tu não podes perdoar?

O rei manda aprisionar
O servo sem coração
Até que pagasse o débito
Ficaria c'o grilhão
É assim que a bíblia conta
De certa maneira aponta
Pros homens grande lição

PAIXÃO ABSURDA

Não me chamo Zé Limeira
Mas cruzei o mar a nado
Fui à terra portuguesa
Buscar para ti um fado
O mais belo já ouvido
Que te foi oferecido
Por um ser apaixonado

Depois de andar um bocado
Na cratera dum vulcão
De lava peguei um tanto
E forrei o nosso chão
Transformei a lava em flores
Perfumadas, multicores
Pra fisgar teu coração

Medi forças com Sansão
Da luta fui vencedor
Quis mostrar virilidade
E meu grande destemor
Minha dama predileta
Com certeza minha meta
Foi ganhar o teu amor

Fui ao Cristo Redentor
Dando um pulo desde a ponte
Ao lado do monumento
Vi Saturno no horizonte
Fui pra lá dentro dum trem
Os anéis tirei também
São teus, não me desaponte

Enfrentei um mastodonte
Lá pras bandas do Alasca
Com golpes de capoeira
No meio duma nevasca
Com medo, um preá correu
Eu defendo o anjo meu
Ninguém pega, ninguém tasca

A urtiga não se masca
Mas usei de tira-gosto
Ao ficar embriagado
Fascinado por teu rosto
Tão macio, angelical
Eu pago pra ver igual
E recolho até imposto

Eu dormi no mês de agosto
Despertei só em dezembro
Uma bela me acordou
Isso é tudo que me lembro
Nessa cena de novela
Eu sou teu, falei pra ela
Da cabeça ao tronco e membro



* Homenagem ao genial Zé Limeira

MITOLOGIA GREGA: HEFESTOS, O DEUS FEIOSO

A mitologia narra
A história desse deus
Que, como os amigos seus,
Não era bela figura
Do contrário, bem feioso
Além disso, manquitola
Não podia ser gabola
Pois não tinha formosura

O seu nome este: Hefestos
Deus do fogo, foi ferreiro
Habilidoso e arteiro
Com trabalhos manuais
Um filho da deusa Hera
Pela mãe um rejeitado
D'Olimpo foi atirado
Lá não lhe queria mais




Ele foi salvo por Tétis
Apurou a vocação
Bem ao lado dum vulcão
Montou a sua oficina
Cria peças variadas
Usando a metalurgia
Sua vingança previa
Contra a mãe cruel, malina

Esculpiu trono de ouro
Reluzente maravilha
Na verdade, uma armadilha
Para a genitora, Hera
Sentando no tal presente
Essa deusa fica presa
Pra pagar a malvadeza
Que ao seu filho fizera

Somente Hefestos sabia
Como aquilo desarmar
Exigiu, então, voltar
N'Olimpo ficar de vez
Não contente c'o retorno
Outra exigência ainda
A mão de Afrodite, linda
Foi o pedido que fez

Pros deuses não teve jeito
A volta foi permitida
E também foi concedida
A mão da deusa, beldade
Após o seu casamento
Hefestos só prova fel
Afrodite era infiel
Pra sua infelicidade

Certa feita fabricou
Com habilidade incrível
Uma rede invisível
Vingando uma traição
Prende Ares, deus da guerra
Afrodite prende junto
Pros deuses chistoso assunto
Foi geral a gozação

O relato findo aqui
Deixando o presente alerta:
A mulher que for esperta
Por deus grego não implora
Se pedir dessa maneira
Poderá ser atendida
Com um Hefestos da vida
E dele vai cair fora


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